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RAIVA

 

Zoonoses são todas aquelas doenças transmitidas pelos animais, insetos, ácaros e outras espécies que podem ser transmitidas para os seres humanos. A mais importante e perigosa de todas elas é a Raiva. Neste tópico, estaremos focando a Raiva humana.

A partir dos registros de óbitos por raiva humana com confirmação laboratorial, no período de 1970 a 2002, existentes no Instituto Pasteur, foi realizado um estudo clínico-epidemiológico retrospectivo. Foram registrados 296 óbitos humanos por raiva. Destes, 247 obtiveram confirmação laboratorial, representando 83,4% do total.
Em relação ao Estado de procedência dos pacientes, verificou-se que 85,5% eram de São Paulo. A distribuição por sexo foi 74,9% para homens e 25,1% para mulheres, sendo que 38,4% dos óbitos foram em indivíduos de até 10 anos de idade.
Verificou-se que o cão foi o responsável por 91,3% dos casos, e a maioria dos animais agressores desapareceu ou era "ignorada", sendo a mordedura a forma de transmissão mais frequentemente relatada. O período de incubação mínimo foi de dez dias e o mais longo registrado neste estudo foi de 715 dias. O período médio de incubação foi de 73 dias, com a mediana estabelecida em 54 dias. Em 54,2% dos casos a agressão atingiu a cabeça ou membros superiores, e em 35% a lesão foi única e superficial. O período médio de evolução da doença foi de seis dias e os sintomas mais citados na descrição clínica dos casos foram: a hidrofobia, a aerofobia, a febre e a alteração de comportamento. Todos os mamíferos que possam ser infectados pelo vírus da raiva, representantes das ordens Carnivora e Quiroptera são seus principais reservatórios. (Número de óbitos por raiva humana, segundo sexo e faixa etária. Instituto Pasteur, 1970-2002).
No Brasil, o cão foi, até 2003, a principal espécie transmissora, responsável por cerca de 80% dos casos humanos. A partir de 2004, houve uma importante alteração do perfil epidemiológico da raiva em nosso País, e o morcego hematófago (Desmodus rotundus) tornou-se o principal transmissor devido aos surtos ocorridos nas regiões Norte e Nordeste, em 2004 e 2005, respectivamente. Já desde 1985, o morcego hematófago era considerada a segunda principal espécie transmissora de raiva humana (COVEV/CGDT/DEVEP/SVS/Ministério da Saúde).
As alterações ambientais determinadas por fatores provocados pela intervenção humana, como a exploração de recursos naturais, os desmatamentos, as queimadas, as construções de represas e rodovias, modificaram a composição e a abundância das espécies animais, bem como aproximaram algumas espécies do homem. Estes fatos tiveram importante impacto na ocorrência das zoonoses, particularmente da raiva transmitida por silvestres.
O período de incubação (PI) do vírus da raiva em humanos e animais é considerado longo quando comparado com o de outras viroses. Este fato ocorre, provavelmente, em função do longo período que o vírus permanece no ponto de inoculação se replicando, antes de atingir os nervos periféricos. O PI médio varia de 20 a 90 dias, havendo relatos de até seis anos. Esta variação depende da extensão do ferimento, da profundidade, da localização e da carga e cepa virais.
A principal via de transmissão da raiva humana é através da mordedura, arranhadura ou lambedura de pele ferida, porém novos aspectos da transmissão têm sido relatados, como a transmissão por aerossóis, por transplante de córnea e, mais recentemente, por transplante de órgãos, ocorridas nos Estados Unidos em 2004 e na Alemanha, 2005.
Os sintomas em humanos iniciam-se de forma inespecífica, sendo frequente a febre, a cefaléia e o mal-estar generalizado, acompanhados de depressão e angústia. Com freqüência, há dor e formigamento no local da agressão, assim como crises convulsivas. São evidenciadas: extrema sensibilidade à luz e aos sons, aerofobia, dificuldade de deglutição, contrações espasmódicas laringofaríngeas à simples vista de um copo de água e abstenção de deglutição da própria saliva, justificando a denominação de hidrofobia. A fase de excitação pode ser predominante até a morte ou substituída por uma fase de paralisia generalizada, seguida de apatia, facies inexpressiva, estupor e coma. O período de morbidade é de 2 a 6 dias, podendo se apresentar mais longo.

Fonte: Maria Luiza Carrieri, Neide Yumie Takaoka, Ivanete Kotait e Pedro Manuel Leal Germano.
Instituto Pasteur, Coordenadoria de Controle de Doenças, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo – IP/CCD/SES-SP; Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo – FSP/USP.

 
 

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